Unismo › O livro › Parte IV · Capítulo 10: A finalidade e o aperfeiçoamento
Questão 72 de 168
72.Melhorar é o mesmo que se adaptar aos costumes?
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Narração da pergunta e da resposta. No leitor completo a narração segue de questão em questão.
A conformidade consiste em agir segundo o que um grupo espera; o aperfeiçoamento requer examinar se essa expectativa respeita a dignidade dos atingidos. Os dois podem coincidir, mas não necessariamente. Um costume amplamente aceito pode distribuir encargos de maneira injusta ou impedir que determinadas pessoas sejam ouvidas. A aprovação coletiva não substitui a pergunta pelo valor da conduta.
A doutrina encontra seu critério básico na igual dignidade, acompanhada pela atenção às consequências reais e às condições de liberdade. Cabe perguntar quem recebe proteção, quem suporta o custo, se houve consentimento possível e se a regra admite aplicação coerente a pessoas em posições diferentes. Essas perguntas não produzem respostas automáticas; tornam explícitas razões que podem ser discutidas e corrigidas.
Também seria imprudente supor que rejeitar um costume demonstra avanço moral. A novidade pode encobrir o mesmo desejo de domínio sob outra linguagem. É necessário examinar efeitos, justificativas e possibilidades de contestação. Em uma família, por exemplo, abandonar uma regra antiga só constitui progresso se a mudança ampliar o respeito devido a seus membros, e não se apenas transferir o poder de impor vontades. A fidelidade a uma finalidade moral exige, assim, independência tanto em relação à tradição irrefletida quanto em relação ao prestígio da novidade.
Comentário da edição de estudo
Em linguagem clara
Não. Aperfeiçoar-se não é apenas adaptar-se aos costumes de um grupo. Há costumes que precisam ser corrigidos, assim como há novidades que aumentam o dano. O critério é a qualidade da relação com as pessoas e com as razões, e não a antiguidade ou a popularidade de uma prática.
Aprofundamento
A resposta precisa de um ponto normativo que permita criticar tanto a tradição quanto a inovação. No livro, esse ponto é a dignidade, articulada com liberdade, proteção e responsabilidade. Por isso, uma comunidade não pode provar a bondade de uma regra dizendo apenas que sempre a cumpriu.
O desacordo entre gerações pode esclarecer o problema. Em um exemplo imaginado, abandonar uma antiga regra de silêncio sobre abusos representa avanço se amplia proteção e possibilidade de resposta; abandonar compromissos de cuidado apenas porque parecem antigos não possui a mesma justificação. O exame não consiste em medir proximidade de um modelo social pronto, mas em perguntar quais interesses a prática atende, quem suporta seu custo e se os atingidos podem participar de sua avaliação.
Acréscimo editorial da Edição Comentada para Estudo; não representa chancela oficial nem substitui o texto. As referências [E1]–[E11] remetem às fontes listadas na edição completa.
Do livro
A Unidade e a Dignidade da Existência — Livro dos Fundamentos: 168 perguntas respondidas, gratuito, sem indicação de autor, livre para copiar e traduzir (CC BY-NC-SA 4.0).
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