Capítulo 23 · A fé que se torna presença

A verdade e a humildade

Uma convicção pode oferecer orientação sem encerrar a busca. Confiamos em pessoas, assumimos compromissos e escolhemos caminhos antes de conhecer todas as suas consequências. A vida exige essa coragem. Também exige a capacidade de rever aquilo que parecia seguro quando encontramos razões novas. Entre a indecisão permanente e a certeza que já não escuta, existe uma fidelidade capaz de aprender.

A verdade interessa ao amor porque nossas interpretações alcançam outras vidas. Uma ideia equivocada pode consolar por algum tempo e depois produzir medo, culpa ou abandono. Uma compreensão mais precisa pode ser difícil no início e abrir condições de cuidado mais duradouras. Por isso, o exame das crenças não precisa ser recebido como inimigo da fé. Pode participar de seu amadurecimento.

Esta obra oferece fundamentos, argumentos e esperanças. Ela não ocupa o lugar de Deus nem esgota a vida que procura compreender. Suas palavras pertencem ao esforço humano de pensar com responsabilidade e de encontrar uma maneira amorosa de existir. O leitor conserva o direito de perguntar, concordar parcialmente e levar adiante questões que aqui permanecem abertas. A busca se torna mais verdadeira quando ninguém precisa esconder uma dúvida para continuar sendo acolhido.

  1. 133Como permanecer fiel a uma convicção sem torná-la imune ao exame?
  2. 134O que distingue um fundamento religioso de sua interpretação?
  3. 135Como conversar com quem encontra outros sentidos para a vida?
  4. 136O que fazemos quando uma interpretação religiosa começa a produzir sofrimento?
  5. 137Pode esta obra aprender com o que ainda será descoberto?
  6. 138Como conservar a esperança sem exigir que todas as perguntas se encerrem?