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Unismo

Unismo › O livro › Parte I · Capítulo 1: O objeto da doutrina

Questão 3 de 168

3.Isto é uma religião?

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Narração da pergunta e da resposta. No leitor completo a narração segue de questão em questão.

É religiosa porque situa a vida numa relação com um fundamento transcendente e com um horizonte que ultrapassa as condições atuais da experiência. A adesão envolve confiança nessa compreensão do real e disposição para orientar a existência à luz dela. Ao encontrar outra pessoa, o adepto reconhece alguém singular e, ao mesmo tempo, uma manifestação da realidade consciente de que sua própria vida participa.

Essa convicção pode adquirir expressão no estudo, na contemplação, na oração voluntária e no cuidado. Quem visita um doente por sentir que a vida dele é, na raiz, a mesma que a sua está exercendo essa religiosidade; quem faz a visita sem crer em nada disso exerce uma bondade não menor. A atenção a uma vida deixa de se encerrar na medida de sua utilidade imediata; a interrogação sobre o fundamento acompanha o trabalho de compreender e agir. O valor religioso dessas práticas está na relação que exprimem com o que se professa, sem que sua intensidade constitua prova da metafísica ou título de superioridade.

Os fundamentos não estabelecem sacerdócio, revelação infalível, rito obrigatório ou promessa de intervenção sobrenatural. A natureza do princípio criador não é conhecida a ponto de se assegurar que ele escuta pedidos ou dispõe cada acontecimento. A relação religiosa pode conservar reverência e firmeza de compromisso dentro desses limites. Quem adotar outra concepção do que constitui religião poderá divergir dessa classificação; o conteúdo aqui assumido permanece disponível ao exame. Religiosa na relação que propõe; sem sacerdotes e sem milagres prometidos.

Comentário da edição de estudo

Em linguagem clara

Sim, o livro se apresenta como religioso. O motivo é simples. Ele afirma que a vida tem uma relação com um fundamento que está além dela. E afirma um horizonte que vai além do que vivemos agora. Religião, aqui, não quer dizer sacerdotes, cerimônias obrigatórias ou milagres. O exemplo da visita a um doente mostra a diferença entre o sentido religioso de um gesto e o seu valor moral. Duas pessoas podem cuidar do doente do mesmo jeito. Mesmo assim, podem entender de modos diferentes o que é a existência de quem cuidam.

Aprofundamento

A passagem adota uma definição de trabalho de religião, sem pretender encerrar todas as disputas sobre a palavra. Um leitor pode considerar essa definição ampla demais e ainda compreender com precisão os compromissos que ela identifica. A controvérsia sobre a classificação não decide a verdade da consciência una.

O exemplo da visita tampouco permite concluir que motivos sejam sempre moralmente irrelevantes. Ele estabelece uma conclusão mais restrita: a presença de um motivo religioso não torna o cuidado superior ao de quem age sem ele. Motivos ainda importam quando o auxílio procura dominar, comprar adesão ou obter reconhecimento. O sentido espiritual legítimo permanece ligado à pessoa atendida, não a um título adquirido pelo visitante. A oração voluntária será desenvolvida no capítulo 19 sem que sua possibilidade implique uma resposta garantida do criador.

Acréscimo editorial da Edição Comentada para Estudo; não representa chancela oficial nem substitui o texto. As referências [E1]–[E11] remetem às fontes listadas na edição completa.

Do livro

A Unidade e a Dignidade da Existência — Livro dos Fundamentos: 168 perguntas respondidas, gratuito, sem indicação de autor, livre para copiar e traduzir (CC BY-NC-SA 4.0).

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