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Unismo

Unismo › O livro › Parte IV · Capítulo 9: O princípio criador

Questão 67 de 168

67.Que atributos podem ser atribuídos ao criador?

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Narração da pergunta e da resposta. No leitor completo a narração segue de questão em questão.

Somente os que se encontrem incluídos na concepção adotada ou recebam argumentação adicional suficiente. A função de fundamento e a transcendência em relação à experiência humana imediata pertencem ao conceito empregado nesta obra. Conhecimento de todos os fatos, poder sem limites, personalidade, vontade, providência — o governo intencional de cada acontecimento — e perfeição moral não são sinônimos de fundamento. Sua atribuição exigiria razões próprias.

Mesmo os atributos mais próximos da linguagem religiosa comum precisam ser precisados. “Bom” pode designar uma disposição de cuidado, uma ausência de malícia ou uma perfeição moral completa. “Inteligente” pode significar capacidade de compreender, estabelecer fins ou conhecer todas as possibilidades. Passar de um desses sentidos a outro sem aviso faria parecer demonstrado aquilo que foi acrescentado por mudança de significado.

Pode-se dirigir esperança ao fundamento sem convertê-la em inventário de suas propriedades. A confiança espiritual de uma pessoa não a habilita a garantir o que esse princípio fará em determinado acontecimento. Do mesmo modo, a experiência pessoal de amparo pode ser acolhida como experiência significativa, sem estabelecer uma intervenção objetiva que todos devam reconhecer. Se o termo “Deus” for empregado no âmbito desta doutrina, designará esse princípio criador nos limites aqui definidos. O nome, por si, não incorporará os demais atributos associados a ele em outras tradições.

Comentário da edição de estudo

Em linguagem clara

A palavra ‘criador’ não traz, por si só, um retrato completo de quem ou do que cria. A doutrina afirma duas coisas: a função de fundamento e o fato de ele estar além da experiência imediata. Personalidade, vontade, conhecimento de tudo, poder sem limites e bondade perfeita seriam afirmações a mais, e cada uma precisaria das suas próprias razões.

Aprofundamento

Essa cautela tem uma consequência positiva: permite reconhecer exatamente o conteúdo que a doutrina assume. Um nome religioso carregado de associações não pode introduzir por via indireta aquilo que o argumento deixou aberto. Se o leitor usa ‘Deus’ para nomear o princípio criador, precisa conservar o sentido delimitado no livro ao avaliar suas conclusões.

Também convém distinguir suspensão de juízo e negação. O texto não estabelece que o criador seja impessoal, ignorante ou moralmente imperfeito; deixa de atribuir propriedades para as quais não ofereceu justificação. A investigação pode tentar defendê-las, mas isso ampliaria a doutrina. A mesma disciplina vale para a origem do próprio princípio: limitar a afirmação de dependência às existências consideradas evita fingir uma resposta para o autofundamento ou para uma cadeia ulterior de fundamentos.

Acréscimo editorial da Edição Comentada para Estudo; não representa chancela oficial nem substitui o texto. As referências [E1]–[E11] remetem às fontes listadas na edição completa.

Do livro

A Unidade e a Dignidade da Existência — Livro dos Fundamentos: 168 perguntas respondidas, gratuito, sem indicação de autor, livre para copiar e traduzir (CC BY-NC-SA 4.0).

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