Unismo › O livro › Parte IV · Capítulo 9: O princípio criador
Questão 66 de 168
66.Um fundamento perfeito e uma consciência que ainda aprende: não é contradição?
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Narração da pergunta e da resposta. No leitor completo a narração segue de questão em questão.
Em termos simples: só haveria contradição se o fundamento fosse declarado perfeito desde sempre, e o livro não o declara. A contradição surgiria se afirmássemos simultaneamente, no mesmo sentido, que uma realidade já possui toda compreensão e toda perfeição possíveis e que ainda precisa adquirir a compreensão e a perfeição que lhe faltam. Os fundamentos não contêm a primeira afirmação. Por isso, a existência de um processo de aperfeiçoamento não entra, por si, em contradição com o princípio criador admitido.
A dificuldade reaparece quando se acrescentam atributos não examinados. Se alguém identificar inteiramente o princípio criador com a consciência fundamental e declarar ambos absolutamente perfeitos desde sempre, deverá explicar em que sentido o aperfeiçoamento seria real. Chamá-lo apenas de aparência preservaria uma perfeição pressuposta à custa de enfraquecer o valor atribuído às experiências. Essa solução não pode ser adotada silenciosamente.
Na interpretação de uma distinção real, outra pergunta surge: por que aquilo que depende de um fundamento apresentaria limitações que precisa superar? Dizer que foi criado para aprender não responde suficientemente, pois atribui uma intenção ao criador e deixa por explicar a escolha dessas condições. A doutrina mantém a realidade do aperfeiçoamento como horizonte e reconhece que a relação entre esse processo e seu fundamento permanece insuficientemente esclarecida. Não transforma uma lacuna em prova de contradição, nem em motivo para proclamar que a dificuldade foi resolvida. Sem perfeição declarada não há contradição; há uma relação por explicar.
Comentário da edição de estudo
Em linguagem clara
Aprender envolve alguma mudança no que se compreende. Se disséssemos que o mesmo sujeito já tem, no mesmo sentido, todo o conhecimento possível, haveria tensão com a ideia de aprender. O livro não assume essa perfeição completa. Por isso não precisa atribuí-la nem ao criador nem à consciência fundamental para manter o que afirma.
Aprofundamento
A distinção entre sujeito, aspecto e sentido da predicação é decisiva. Uma pessoa pode adquirir compreensão sem que se tenha demonstrado que a realidade fundamental inteira antes ignorava aquilo. Inversamente, chamar a aprendizagem individual de manifestação de um saber total não explica como ocorre um aperfeiçoamento efetivo. Cada formulação tem encargos próprios.
A conclusão de que não há contradição deve ser lida em relação à incompatibilidade específica examinada: a doutrina não afirma simultaneamente aprendizagem e perfeição cognitiva completa do mesmo sujeito no mesmo aspecto. A ausência desse par contraditório não prova a consistência de todas as relações entre criador, consciência, pessoas e processo. Se a identidade preferida na questão 65 for desenvolvida como autoconhecimento divino, será preciso esclarecer quem adquire algo, o que se modifica e como essa modificação se relaciona com o horizonte. A questão 70 propõe essa leitura condicional; a questão 167 reconhece o trabalho ainda necessário.
Acréscimo editorial da Edição Comentada para Estudo; não representa chancela oficial nem substitui o texto. As referências [E1]–[E11] remetem às fontes listadas na edição completa.
Do livro
A Unidade e a Dignidade da Existência — Livro dos Fundamentos: 168 perguntas respondidas, gratuito, sem indicação de autor, livre para copiar e traduzir (CC BY-NC-SA 4.0).
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