Unismo › O livro › Parte IV · Capítulo 10: A finalidade e o aperfeiçoamento
Questão 70 de 168
70.O que seria uma condição superior de consciência e existência?
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Narração da pergunta e da resposta. No leitor completo a narração segue de questão em questão.
Significa uma condição em que as limitações atuais de compreensão e de relação moral sejam superadas de maneira relevante. A doutrina professa esse horizonte como real orientação do processo das existências. Sua superioridade diz respeito ao modo de compreender e realizar o bem, não a um valor maior de quem existe: o aperfeiçoamento muda a resposta à dignidade; a dignidade permanece igual.
Maior compreensão inclui poder reconhecer perspectivas que um juízo limitado excluía e perceber consequências que uma intenção favorável havia ocultado. Maior aperfeiçoamento moral exige que esse reconhecimento transforme a relação com os demais. Conhecer intimamente uma fragilidade para explorá-la demonstra informação e habilidade, mas contraria o sentido de superioridade aqui adotado.
A condição visada não se esgota, portanto, num aumento de inteligência ou numa supressão de desconfortos. Deve conservar o valor das existências e tornar mais adequada a consideração que recebem. Isso fornece critérios de sentido, ainda que não descreva sua forma: não sabemos como nela se organizariam perspectiva, memória, individualidade ou tempo. O horizonte permanece afirmado sem que a imaginação seja encarregada de lhe inventar os aspectos ausentes.
Se criador e consciência fundamental forem uma só realidade, o horizonte superior poderia ser pensado como o estado em que a consciência se reconhece naquilo que manifesta: não uma pessoa que se torna Deus, mas a realidade divina que se conhece nas pessoas. A doutrina não descreve a forma desse estado; registra a hipótese. Superior em compreensão e cuidado; não em valor.
Comentário da edição de estudo
Em linguagem clara
A condição superior afirmada pelo livro é compreender melhor e relacionar-se de modo mais responsável. Não é pertencer a uma classe de pessoas que valem mais. O livro afirma esse horizonte, mas não descreve a sua forma, a sua duração nem o destino detalhado de cada pessoa. A hipótese de um autoconhecimento divino depende da interpretação provisória de que criador e consciência sejam a mesma realidade.
Aprofundamento
O adjetivo ‘superior’ precisa conservar critérios. No plano moral, pode indicar maior capacidade de reconhecer o outro, corrigir o próprio juízo, agir com justiça e reparar danos. Esses critérios não se reduzem a inteligência, eficiência ou facilidade de viver. Uma pessoa intelectualmente brilhante pode organizar uma exploração; uma pessoa com poucas oportunidades de instrução pode agir com grande atenção à dignidade alheia.
O horizonte excede esses sinais locais: o livro afirma uma condição de consciência e existência além das limitações atuais. Os sinais ajudam a esclarecer a direção, mas não demonstram a realidade futura dessa condição. Também não definem quais limitações serão superadas nem autorizam depreciar uma vida marcada por deficiência ou dependência.
A identidade entre criador e consciência tornaria as experiências humanas manifestações da mesma realidade divina; o autoconhecimento acrescentaria que essa realidade reconhece como suas essas manifestações e compreende suas relações. Viver algo não equivale a compreender a própria relação com o vivido. Se esse reconhecimento ocorrer somente nas pessoas, falta explicar como participa de uma compreensão que as ultrapassa; se for atribuído ao fundamento, falta explicar sua aquisição e conservação, sem pressupor um observador total que o livro não estabeleceu. A ordem dessa transformação também permanece por determinar: dispensar a cronologia humana não basta para tornar inteligível uma aquisição sem sucessão. Além disso, reconhecer a unidade ainda precisaria transformar a resposta à dignidade para constituir aperfeiçoamento moral. A questão permanece aberta porque a identidade não fornece essas relações adicionais. Uma explicação que articulasse reconhecimento, conservação e cuidado faria a hipótese avançar; sua ausência limita a interpretação de autoconhecimento, sem apagar o horizonte professado. Veja as questões 42, 66, 162 e 167.
Acréscimo editorial da Edição Comentada para Estudo; não representa chancela oficial nem substitui o texto. As referências [E1]–[E11] remetem às fontes listadas na edição completa.
Do livro
A Unidade e a Dignidade da Existência — Livro dos Fundamentos: 168 perguntas respondidas, gratuito, sem indicação de autor, livre para copiar e traduzir (CC BY-NC-SA 4.0).
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