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Unismo

Unismo › O livro › Parte IV · Capítulo 10: A finalidade e o aperfeiçoamento

Questão 69 de 168

69.Ter uma finalidade significa que tudo acontece por um plano?

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Narração da pergunta e da resposta. No leitor completo a narração segue de questão em questão.

A finalidade afirmada consiste numa orientação do processo para maior compreensão e aperfeiçoamento moral. Um plano total acrescentaria outra tese: haveria uma intenção que dispôs todos os acontecimentos em vista desse fim. O horizonte doutrinário não contém, por si, essa afirmação.

A diferença aparece na relação entre experiência e elaboração. Uma pessoa pode compreender melhor a justiça depois de sofrer uma injustiça. Sua resposta dá ao acontecimento uma participação em sua história moral; não demonstra que ele tenha sido produzido para educá-la. Aprender a partir de algo e afirmar que esse algo existiu para ensinar são juízos diferentes. Quem aprendeu prudência num acidente não pode concluir que o acidente foi provocado para ensiná-la.

Por isso, “finalidade” designa aqui a direção professada do aperfeiçoamento. Ela permite julgar uma transformação como avanço ou retrocesso segundo a compreensão e a consideração pela dignidade que nela se realizam. Quando a palavra for usada para designar intenção do criador, será necessária uma razão adicional. A direção afirmada inclui o trabalho de impedir danos, e não a exigência de descobrir uma utilidade espiritual para cada mal ocorrido.

Comentário da edição de estudo

Em linguagem clara

Não. O processo das existências recebe uma direção espiritual: compreender mais e melhorar a relação com o bem. Isso não é dizer que cada doença, violência ou perda foi planejada para ensinar alguma coisa. Aprender depois de uma injustiça não transforma a injustiça num meio legítimo de educação.

Aprofundamento

Finalidade pode designar um bem que orienta o processo, uma intenção de um agente ou um resultado inevitável. A resposta trabalha principalmente com o primeiro sentido. Passar aos outros exigiria estabelecer quem planeja, por quais meios e com que eficácia. O princípio criador, tal como delimitado no capítulo anterior, não fornece essas informações.

Num exemplo hipotético, uma família aprende a ouvir melhor depois de um conflito. A aprendizagem mostra uma resposta possível ao ocorrido; não demonstra que a humilhação tenha sido necessária nem concede razão a quem a praticou. O teste moral é contrafactual: se a mesma compreensão pudesse ser cultivada por diálogo sem humilhação, haveria razão para escolher a via menos danosa. Mesmo quando uma alternativa não está ao alcance, a origem causal de uma aquisição continua distinta da justificação moral do meio que a precedeu.

Acréscimo editorial da Edição Comentada para Estudo; não representa chancela oficial nem substitui o texto. As referências [E1]–[E11] remetem às fontes listadas na edição completa.

Do livro

A Unidade e a Dignidade da Existência — Livro dos Fundamentos: 168 perguntas respondidas, gratuito, sem indicação de autor, livre para copiar e traduzir (CC BY-NC-SA 4.0).

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