Unismo › O livro › Parte IV · Capítulo 9: O princípio criador
Questão 68 de 168
68.Um criador de que se sabe tão pouco pode ter valor religioso?
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Narração da pergunta e da resposta. No leitor completo a narração segue de questão em questão.
Pode ter valor religioso porque a relação com um fundamento não se reduz à quantidade de atributos que lhe atribuímos. Reconhecer-se numa existência que não é tomada como absolutamente independente pode orientar reverência, gratidão e atenção. A pessoa passa a considerar sua vida como participação numa realidade que excede sua iniciativa, sem por isso renunciar à responsabilidade por aquilo que faz.
Esse reconhecimento difere de simples admiração. A doutrina afirma um princípio criador transcendente e uma unidade consciente das existências, vinculando sua profissão a um horizonte de aperfeiçoamento. A vida religiosa que daí nasce procura habitar essa relação: estudar o que se crê, acolher a limitação do próprio ponto de vista e conferir expressão concreta ao compromisso com a dignidade.
A objeção conserva força: se a natureza do princípio permanece tão pouco determinada, faltam razões para confiar que ele acolha pedidos ou assegure justiça. O livro não preenche essa falta com atributos desejados. A reverência dirige-se ao fundamento professado; a confiança num governo benevolente de cada acontecimento seria um compromisso adicional. A distinção permite uma religiosidade afirmativa sem fazer de toda forma de consolo uma informação sobre o criador.
Comentário da edição de estudo
Em linguagem clara
Pode. Uma vida religiosa pode dirigir reverência, gratidão e esperança ao fundamento que professa, mesmo sem descrevê-lo por completo. O valor vivido dessa relação não depende de ter uma lista de atributos. O que o capítulo não estabeleceu é outra coisa: a confiança de que cada acontecimento foi planejado para o nosso bem.
Aprofundamento
O desafio é conservar um objeto suficientemente determinado para a atitude religiosa. Reverenciar o fundamento das existências tem conteúdo diferente de admirar vagamente o desconhecido. Entretanto, gratidão pode significar tanto reconhecer o valor da existência quanto atribuir a alguém uma intenção benéfica dirigida a nós. A primeira atitude é compatível com os limites aqui adotados; a segunda requer premissas adicionais sobre agência e intenção.
Um exemplo hipotético ajuda: alguém agradece pela possibilidade de conviver com uma pessoa amada, sem concluir que um acidente posterior foi desejado pelo criador. A gratidão pelo vínculo pode permanecer junto da recusa do dano. Os capítulos 18 e 19 desenvolvem esse cultivo. Seu critério será a relação entre sentido espiritual e atenção à vida concreta, não a fabricação de certezas sobre a administração de cada acontecimento.
Acréscimo editorial da Edição Comentada para Estudo; não representa chancela oficial nem substitui o texto. As referências [E1]–[E11] remetem às fontes listadas na edição completa.
Do livro
A Unidade e a Dignidade da Existência — Livro dos Fundamentos: 168 perguntas respondidas, gratuito, sem indicação de autor, livre para copiar e traduzir (CC BY-NC-SA 4.0).
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