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Unismo

Unismo › O livro › Parte III · Capítulo 7: As ordens do tempo

Questão 51 de 168

51.Uma consciência fora do tempo pode melhorar?

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Narração da pergunta e da resposta. No leitor completo a narração segue de questão em questão.

A pergunta exige distinguir mudança, comparação e ordem. Dizer que uma condição é melhor que outra estabelece uma comparação; ainda não afirma que alguma realidade passou de uma para a outra. Dizer que uma fotografia é melhor que outra compara as duas; não afirma que uma se transformou na outra. Aperfeiçoar-se, no sentido usual, acrescenta uma transformação: algo se torna capaz de compreender ou agir melhor. Se o fundamento fosse declarado alheio a toda sucessão, seria necessário explicar em que sentido haveria aquisição, e não apenas diferenças entre condições.

A doutrina não afirma tal atemporalidade absoluta. Sustenta a participação das experiências num processo de aperfeiçoamento e admite que sua ordenação possa não coincidir com a cronologia humana. Há, assim, espaço para investigar uma ordem de transformação distinta da sucessão das datas. Uma vida historicamente anterior não precisa, por esse motivo, representar menor compreensão no processo fundamental.

Outra interpretação consideraria o processo nas manifestações temporais e procuraria compreender sua relação com o fundamento sem lhe atribuir uma sucessão global. Essa leitura enfrenta um encargo próprio: explicar como o vivido contribui para o aperfeiçoamento, em vez de ser apenas comparado, de fora, com um ideal estático. A palavra “processo” perde conteúdo se nenhuma experiência puder fazer diferença à compreensão cuja ampliação se afirma.

O compromisso mínimo conserva, portanto, uma contribuição real das experiências e uma direção de aperfeiçoamento; a estrutura temporal dessa contribuição permanece indeterminada. Esse limite é mais preciso que chamar o tempo de ilusão ou apresentar todas as vidas como simultâneas. A simultaneidade ainda é uma relação temporal. Uma perspectiva extratemporal, se houver, exigirá outros conceitos para exprimir a relação entre experiência, diferença e compreensão. Comparar não é mudar; e aperfeiçoar-se exige que algo mude.

Comentário da edição de estudo

Em linguagem clara

Dizer que uma condição é melhor do que outra não é dizer que alguém passou de uma para a outra. No sentido comum, aperfeiçoar-se é adquirir algo. Se o fundamento fosse totalmente sem antes e depois, seria preciso explicar como algo se aprende de verdade. O livro não assume essa atemporalidade absoluta e mantém mais de uma interpretação em exame.

Aprofundamento

A distinção entre comparação e transformação atinge o núcleo do processo professado. Podemos ordenar condições pelo valor sem estabelecer que exista uma realidade que passe entre elas. Para falar em aprendizado, o vivido precisa fazer diferença na compreensão. A hipótese de outra ordem temporal oferece uma forma possível de expressar essa diferença, mas precisa definir a ordem e a conservação; dizer apenas ‘outro tempo’ não resolve o problema.

A segunda leitura situa o processo nas manifestações temporais e evita atribuir sucessão global ao fundamento. Ela tem um custo próprio: explicar como o aprendizado local participa de uma aquisição comum, em vez de ser apenas classificado externamente por um ideal. A questão 41 já mostrou por que o aperfeiçoamento não pode ser reduzido a um nome dado à multiplicidade.

A frase final ‘aperfeiçoar-se exige que algo mude’ conserva o sentido de transformação usado pela obra. Um leitor poderia propor um conceito não temporal de aperfeiçoamento, mas teria de explicar o que ele acrescenta à comparação entre condições. Não basta mudar o vocabulário e conservar a mesma ausência de relação. Também chamar todas as vidas de simultâneas não fornece extratemporalidade, pois simultaneidade ainda relaciona acontecimentos temporalmente. O texto termina com uma exigência definida e uma solução incompleta. Se nenhuma interpretação conseguir articular unidade e aquisição, a dificuldade poderá atingir o fundamento do processo, como reconhecerá a questão 162; não será apenas um detalhe de sua representação.

Acréscimo editorial da Edição Comentada para Estudo; não representa chancela oficial nem substitui o texto. As referências [E1]–[E11] remetem às fontes listadas na edição completa.

Do livro

A Unidade e a Dignidade da Existência — Livro dos Fundamentos: 168 perguntas respondidas, gratuito, sem indicação de autor, livre para copiar e traduzir (CC BY-NC-SA 4.0).

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