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Unismo

Unismo › O livro › Parte IV · Capítulo 9: O princípio criador

Questão 61 de 168

61.O que é o princípio criador?

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Narração da pergunta e da resposta. No leitor completo a narração segue de questão em questão.

Em termos simples: as existências dependem, para ser, de um fundamento que não cabe inteiro no que vemos e sentimos. Entende-se o fundamento criador das existências de que trata esta doutrina, cuja realidade transcende o que se apresenta à experiência humana imediata. “Criador” exprime uma relação pela qual essas existências dependem desse princípio para ser. O livro assume a relação sem atribuir ao princípio, por esse único motivo, personalidade, vontade deliberativa ou um plano de acontecimentos particulares.

A transcendência significa que o princípio não se esgota no conteúdo de nossa experiência imediata. Ela não o situa num lugar exterior ao universo. Tampouco impede toda reflexão: podemos examinar o sentido de fundamentar, as relações entre os conceitos e as dificuldades da concepção sem supor conhecimento integral da realidade designada.

Esse compromisso não se apoia na regra de que todo ser, sem exceção, depende de outro. Tal regra levantaria também a questão da dependência do próprio princípio e não foi assumida. A doutrina afirma um fundamento criador para as existências; conserva em aberto o modo desse fundamento e o que seria pertinente perguntar sobre sua própria condição. Sua afirmação permanece uma premissa religiosa, distinta do reconhecimento moral da dignidade. Um fundamento do qual as existências dependem; nada além disso é afirmado aqui.

Comentário da edição de estudo

Em linguagem clara

O livro afirma que as existências dependem de um princípio criador, que está além do que a experiência humana mostra de imediato. Esse princípio não é descrito como um artesão que mora em outro lugar do espaço. A afirmação trata da relação entre as existências e o seu fundamento. O que esse princípio é, de modo mais completo, fica por conhecer.

Aprofundamento

Há conteúdo definido nessa afirmação: a realidade vivida não é tomada como explicação suficiente de si, e sua dependência é referida a um princípio. Mas a expressão ‘princípio criador’ ainda precisa de desenvolvimento para distinguir a doutrina de alternativas que também falam em fundamento último. O leitor pode perguntar por que esse fundamento deve ser chamado criador, que espécie de dependência ele estabelece e de que maneira sua transcendência se articula com sua eventual identidade com a consciência.

A resposta não se apoia na regra ‘tudo tem uma causa’, que obrigaria a aplicar a regra também ao criador ou justificar uma exceção. Ela assume um compromisso mais delimitado acerca das existências humanas. Essa delimitação evita um argumento defeituoso, mas deixa uma tarefa positiva: oferecer razões para a dependência professada. O estatuto religioso da afirmação explica seu lugar no livro; não substitui essa justificação. Compare as questões 64 e 167.

Acréscimo editorial da Edição Comentada para Estudo; não representa chancela oficial nem substitui o texto. As referências [E1]–[E11] remetem às fontes listadas na edição completa.

Do livro

A Unidade e a Dignidade da Existência — Livro dos Fundamentos: 168 perguntas respondidas, gratuito, sem indicação de autor, livre para copiar e traduzir (CC BY-NC-SA 4.0).

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