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Unismo

Unismo › O livro › Parte VIII · Capítulo 21: As objeções que permanecem

Questão 158 de 168

158.Muitos sujeitos não contradizem uma só consciência?

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Narração da pergunta e da resposta. No leitor completo a narração segue de questão em questão.

A objeção mais forte sustenta que uma consciência é um sujeito de experiência e que a pluralidade real de sujeitos já exclui uma consciência numericamente una. Em palavras simples: se ser consciente é ser alguém, e há muitos alguéns, como poderia haver uma só consciência? Sob essa definição, falar de níveis seria insuficiente: apenas se daria outro nome à incompatibilidade. O livro precisa, portanto, esclarecer o que conta como uno e o que conta como múltiplo, além de reconhecer que esse esclarecimento pode ser contestado.

A unidade numérica afirmada pertence à realidade consciente fundamental. A pluralidade pertence às pessoas e a seus campos situados de experiência. Não se afirma que duas pessoas sejam numericamente a mesma pessoa, nem que cada uma seja idêntica à totalidade do fundamento. A relação de manifestação não é uma igualdade que permita substituir seus termos em qualquer afirmação. Se uma pessoa sabe um segredo e outra o ignora, são diferentes as atribuições de conhecimento; o livro não as transfere à totalidade nem declara que ambas sabem e ignoram no mesmo sentido.

A distinção afasta essa contradição determinada e torna inteligível o compromisso pretendido. Ainda não explica como uma realidade intrinsecamente consciente se apresenta em perspectivas privadas, nem decide se sua unidade requer um campo próprio de experiência além desses campos. Esse é o problema restante. A interpretação por fronteiras de acesso, esboçada na questão 48, mostra a forma que uma resposta teria de ter; não a fornece. A tese precisa sustentar uma relação efetiva de manifestação que preserve os sujeitos, e não apenas acrescentar um fundamento verbal a consciências já inteiramente separadas.

Se se demonstrasse que toda realidade consciente deve, necessariamente, coincidir com um único sujeito privado e que nenhuma relação de manifestação pode articular as duas unidades, o fundamento da doutrina enfrentaria uma objeção decisiva. O livro não pode impedir esse exame declarando a consciência incompreensível por definição. Conserva a tese e o encargo de desenvolvê-la; não apresenta como vitória aquilo que, por enquanto, é uma formulação mais precisa da dificuldade. A objeção mais forte contra o livro é também a mais bem formulada por ele.

Comentário da edição de estudo

Em linguagem clara

A crítica central diz: se uma consciência é sempre alguém vivendo uma experiência própria, então muitas pessoas já são muitas consciências. O livro responde que afirma a unidade do fundamento e a pluralidade dos sujeitos situados. Essa distinção evita confundir as pessoas entre si. Mas ainda precisa explicar como um fundamento consciente pode manifestar centros realmente privados.

Aprofundamento

A objeção associa toda unidade consciente à unidade de um sujeito e reconhece sujeitos humanos distintos. Para concluir contra o fundamento uno, precisa ainda sustentar que essa distinção exclui uma realidade consciente da qual sejam manifestações. É precisamente esse alcance que o livro contesta: talvez a unidade fundamental não coincida com a unidade de acesso característica da pessoa. A reconstrução localiza a premissa disputada; não presume que a tese seja verdadeira ou que bastem níveis diferentes para demonstrar sua possibilidade.

A distinção também evita um erro de identidade. Se cada pessoa fosse, sem qualificação, numericamente idêntica à totalidade do fundamento, elas seriam idênticas entre si. O livro não assume essa igualdade: propõe manifestação. Por isso, o conhecimento de um segredo por uma pessoa não pode ser transferido à outra, nem a ignorância de uma ser atribuída indistintamente ao fundamento. O ganho é preservar atribuições verdadeiras e afastar uma contradição produzida pela troca de sujeitos, conforme as questões 15 e 22.

Permanece, contudo, a exigência positiva: o que torna essa manifestação uma relação real, além de nomear conjuntamente experiências já separadas? A hipótese das fronteiras de acesso, na questão 48, propõe que a privacidade resulte da integração interna de cada centro, sem exigir fundamentos últimos diferentes. Nesse desenho, as fronteiras procurariam explicar a separação do acesso aos conteúdos, enquanto a unidade diria respeito à realidade consciente que se manifesta. Isso permite formular conjuntamente unidade e privacidade; ainda não mostra que as fronteiras constituam sujeitos ou que o fundamento seja efetivamente uno. Quando o original pergunta se há sujeitos distintos ou um sujeito com acesso repartido, expõe uma dificuldade do modelo: a doutrina já assume a realidade e a distinção das pessoas. Se a repartição produzisse apenas perspectivas aparentes de um único sujeito individual, ela não satisfaria esse compromisso. Uma resposta adequada teria de explicar como se constituem sujeitos realmente distintos sem convertê-los em realidades conscientes últimas independentes. As analogias empíricas apresentadas ali não fornecem esse passo metafísico.

A hipótese de um campo total tampouco encerra o problema. Se houver uma experiência que reúna todas, será preciso relacioná-la às perspectivas privadas; se não houver, será preciso esclarecer o sentido consciente dessa unidade sem simplesmente pressupor o que se deseja explicar. A questão 16 já estabelecia esses encargos alternativos.

O resultado atual é uma tese determinada e uma dificuldade central aberta. Não foi demonstrada uma contradição necessária, mas também não foi demonstrada a possibilidade metafísica da articulação. Uma crítica que estabelecesse a necessidade da equivalência entre unidade consciente e sujeito privado atingiria o fundamento. Uma resposta que apenas reafirmasse a fraternidade não lhe responderia, pois substituiria uma questão sobre o ser por uma razão moral.

Acréscimo editorial da Edição Comentada para Estudo; não representa chancela oficial nem substitui o texto. As referências [E1]–[E11] remetem às fontes listadas na edição completa.

Do livro

A Unidade e a Dignidade da Existência — Livro dos Fundamentos: 168 perguntas respondidas, gratuito, sem indicação de autor, livre para copiar e traduzir (CC BY-NC-SA 4.0).

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