Unismo › O livro › Parte IV · Capítulo 9: O princípio criador
Questão 63 de 168
63.O criador veio antes de tudo?
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Narração da pergunta e da resposta. No leitor completo a narração segue de questão em questão.
Não necessariamente no sentido de um antes cronológico. O antes de que se trata é o da base que sustenta a casa, não o de ontem em relação a hoje. Se a criação é compreendida como dependência ontológica, a prioridade atribuída ao fundamento é uma prioridade de explicação ou de sustentação do ser. Não é, sem argumento adicional, uma duração durante a qual só ele teria existido. Perguntar o que fazia “antes” de haver tempo introduz uma sucessão que a própria pergunta precisa justificar.
Também seria precipitado concluir que o princípio criador vive fora de toda temporalidade. O fato de não podermos estabelecer uma cronologia para sua relação com a existência não demonstra a ausência de qualquer forma de tempo. Entre afirmar que está no tempo humano e afirmar que nenhuma temporalidade lhe é aplicável há alternativas conceituais ainda não examinadas suficientemente.
Por isso, a doutrina evita descrever uma cena inicial da criação. Cenas exigem posições, agentes, intervalos e mudanças; empregá-las como descrição literal anteciparia justamente o que se deseja compreender. A linguagem filosófica pode falar de fundamento sem construir tal cenário. Quando utilizar “anterioridade”, deverá esclarecer se designa uma ordem temporal ou uma prioridade de dependência. A confusão entre ambas produziria uma aparência de resposta, pois transferiria para o fundamento as mesmas condições cuja origem ou alcance estavam sendo interrogados.
Comentário da edição de estudo
Em linguagem clara
Não necessariamente. Dizer que algo é fundamental pode significar que outra coisa depende dele, sem dizer que ele veio primeiro no relógio. Ser a base de algo não é o mesmo que ser o mais antigo. A imagem da base e da casa ajuda a separar essas duas perguntas: a base sustenta a casa, mas a ordem em que foram feitas é outro assunto.
Aprofundamento
A distinção resolve uma inferência específica: se o criador fundamenta as existências, não podemos concluir somente daí que as antecedeu por uma duração mensurável. Em contrapartida, tampouco se conclui que esteja fora de toda temporalidade. As duas afirmações exigem razões adicionais.
A relação de fundamento também pede uma explicação de sua assimetria: por que a existência depende do princípio, e não o princípio da existência? O exemplo arquitetônico tem uma resposta concreta, mas essa resposta não pode ser transportada inteira para a metafísica. A questão conserva inteligível a diferença entre anterioridade e prioridade; a determinação da relação professada continua ligada às questões 61, 64 e 167. Esse limite é útil: impede que uma imagem simples seja obrigada a realizar o trabalho de uma teoria completa.
Acréscimo editorial da Edição Comentada para Estudo; não representa chancela oficial nem substitui o texto. As referências [E1]–[E11] remetem às fontes listadas na edição completa.
Do livro
A Unidade e a Dignidade da Existência — Livro dos Fundamentos: 168 perguntas respondidas, gratuito, sem indicação de autor, livre para copiar e traduzir (CC BY-NC-SA 4.0).
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