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Unismo

Unismo › O livro › Parte V · Capítulo 12: A realidade do sofrimento e os limites de sua explicação

Questão 90 de 168

90.A existência do sofrimento contradiz a de um criador?

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Narração da pergunta e da resposta. No leitor completo a narração segue de questão em questão.

Ela constitui uma dificuldade decisiva para determinadas concepções do criador, mas seu alcance depende dos atributos afirmados. Se alguém sustenta que o princípio criador conhece todo sofrimento, pode impedi-lo sem perda de qualquer bem e quer impedir todo sofrimento, deve explicar por que o sofrimento existe. A simples palavra “criação” não fornece essa explicação.

A doutrina aqui exposta não estabeleceu aquele conjunto de atributos. Por isso, não pode apresentar uma contradição já resolvida, nem uma defesa definitiva de um governo perfeito dos acontecimentos. Afirma um fundamento transcendente da existência e reconhece que essa afirmação, isoladamente, informa pouco sobre a permissão ou a produção de condições dolorosas.

Essa reserva não deve servir como abrigo contra toda crítica. Se uma interpretação acrescentar providência particular, bondade ilimitada ou domínio integral de cada acontecimento, assumirá também as dificuldades correspondentes. Não é coerente empregar esses atributos para oferecer consolo e abandoná-los silenciosamente quando se examina sua relação com o mal.

Permanece aberta a relação entre criação e sofrimento. Reconhecer essa insuficiência é mais rigoroso do que atribuir a cada tragédia uma finalidade desconhecida, mas garantidamente boa. A fé em um fundamento da existência pode coexistir com a recusa de chamar justo aquilo cuja injustiça se mostra nas relações humanas.

Comentário da edição de estudo

Em linguagem clara

Depende de que criador se fala. Se ele conhece a dor, pode impedi-la sem perder nenhum bem e sempre quer impedi-la, então a existência do sofrimento pede uma explicação. O livro não assume esse conjunto de atributos. Também não apresenta uma explicação completa da relação entre criação e sofrimento.

Aprofundamento

A estrutura do problema é condicional. Conhecimento do sofrimento, capacidade irrestrita de prevenção nas condições descritas e vontade de preveni-lo, tomados conjuntamente, entram em tensão com o sofrimento efetivo. A resposta da obra restringe as premissas atribuíveis ao seu criador, conforme a questão 67. Dessa maneira, evita uma contradição imediata produzida por atributos que não professou. Evitar essa contradição não equivale a explicar por que o real contém dores que destroem vidas.

Uma objeção forte permanece: um fundamento tão indeterminado pode escapar ao conflito lógico ao custo de oferecer pouco esclarecimento ou amparo sobre o mundo criado. A questão 68 responde parcialmente ao distinguir reverência ao fundamento e confiança num governo benevolente dos acontecimentos. O adepto pode viver a primeira relação; a segunda exigiria compromissos adicionais. Essa limitação deve aparecer também na linguagem de consolo, para que a doutrina não afirme na prática a providência que suspende na discussão teórica.

A preferência pela identidade entre criador e consciência fundamental, registrada na questão 65, não dissolve o problema. Se for desenvolvida, precisará esclarecer a relação entre o fundamento que cria, as manifestações que sofrem e a aquisição de compreensão. Como a identidade permanece interpretação, não cabe usá-la aqui como solução estabelecida. O resultado do capítulo é mais restrito: a falta de explicação global não obriga a considerar justo cada dano particular nem suspende razões concretas para combatê-lo.

Acréscimo editorial da Edição Comentada para Estudo; não representa chancela oficial nem substitui o texto. As referências [E1]–[E11] remetem às fontes listadas na edição completa.

Do livro

A Unidade e a Dignidade da Existência — Livro dos Fundamentos: 168 perguntas respondidas, gratuito, sem indicação de autor, livre para copiar e traduzir (CC BY-NC-SA 4.0).

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