Livro do Amor e da Consciência · pergunta 007

O que afirmamos quando chamamos Deus de Fonte da existência?

Afirmamos que a realidade tem em Deus sua Origem e seu Fundamento. A palavra Fonte indica uma relação de dependência: a vida que existe encontra nEle a razão última de ser recebida e sustentada. É uma imagem humana para uma afirmação que ultrapassa o funcionamento de uma nascente. Deus não seria uma coisa anterior que, depois de produzir outras, permanecesse ao lado delas. A relação com o Criador diz respeito ao próprio existir, e não apenas a um episódio remoto de sua história.

Para compreender a distinção, podemos separar duas perguntas. Uma procura saber como um acontecimento surge de condições anteriores. Outra pergunta por que há uma realidade capaz de conter condições, acontecimentos e relações. Investigar a formação de uma estrela, o aparecimento da vida ou o desenvolvimento de um corpo pertence à primeira busca. Perguntar pelo fundamento de que algo exista alcança a segunda. Elas podem encontrar-se, mas uma resposta sobre processos particulares não encerra automaticamente a questão do fundamento.

O pensamento encontra aqui uma dificuldade séria. Se tudo precisasse de uma causa anterior, também Deus pareceria precisar de outra. Nossa afirmação não consiste nessa regra universal. Reconhece a realidade recebida e dependente e acolhe Deus como Fundamento que não recebe de outro Seu Ser. Isso oferece uma posição metafísica inteligível, mas exige reflexão: ainda cabe perguntar por que afirmar esse Fundamento, como compreender Sua Relação com o mundo e o que permite reconhecê-Lo como Amoroso. O Nome de Deus abre essas questões em vez de apagá-las.

Também não precisamos situar a Criação em uma data anterior a todas as datas para dar sentido à relação. Mesmo uma realidade cuja duração não tivesse começo poderia, em tese, depender de um Fundamento. A duração de algo e a razão de sua existência são problemas distintos. O livro afirma a Relação Criadora; deixa a investigação dos tempos e processos do universo trabalhar segundo suas próprias evidências.

Reconhecer Deus como Fonte tem uma consequência espiritual: nossa existência não se explica inteiramente pela capacidade de sustentarmos a nós mesmos. A autonomia humana é real, mas acontece dentro de uma vida recebida. Essa condição pode ser experimentada como confiança, em vez de diminuição. Uma pessoa não se torna menos singular porque depende de relações para viver. Sua liberdade encontra um campo de exercício na realidade que a antecede.

É possível objetar que chamar Deus ao Fundamento da existência apenas renomeia o desconhecido. A objeção teria força se o Nome não trouxesse nenhum conteúdo além de uma lacuna. Aqui ele reúne uma afirmação de Criação, de Amor e de Relação com cada pessoa. Esse conjunto será examinado por sua coerência e por suas consequências. Sua aceitação pertence à fé; seus conceitos permanecem disponíveis ao pensamento.

Assim, dirigir-se à Fonte significa reconhecer mais que um primeiro elo numa sequência. Significa viver a existência como recebida de Alguém cujo Amor não se esgota nos resultados de um dia. O conhecimento dessa relação pode permanecer limitado e, ainda assim, modificar a maneira de acolher a própria vida: há um Fundamento para confiar enquanto aprendemos a compreender.

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