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Unismo › Uma Raiz, Muitas Vidas › Livro VII · O exame

Livro VII · O exame

28.A síntese

Questões investigadas: 165 · 166 · 167 · 168 — Ver também: 1 · 2 · 12 · 84

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Verificando a narração…

Trechos

    Quem chegou até aqui merece saber, em poucas páginas, o que o Livro dos Fundamentos afirma, o que interpreta e o que deixa em aberto, e o que se pode viver antes que a última pergunta seja respondida; a promessa é a que abre o capítulo 22 do texto-base, que faz essa síntese em quatro questões, e este capítulo a refaz com o resultado da investigação, tomando uma a uma as dez proposições da questão 165 e dizendo, de cada uma, o que os capítulos anteriores encontraram. É também o lugar em que esta obra presta contas do que acrescentou, para que o leitor saiba, ao fechar o livro, o que é do Unismo e o que é desta investigação.

    1. As dez proposições, examinadas

    A primeira proposição afirma que as múltiplas existências humanas são manifestações de uma mesma consciência fundamental. A tese tem conteúdo determinado (capítulo 1), é formalmente coerente (capítulo 4) e é explicativamente incompleta no ponto decisivo, a relação de manifestação, que é a dívida reconhecida da doutrina (capítulos 4, 24, 27). A leitura aqui proposta, a da consciência como natureza e do sujeito como forma, torna a tese mais inteligível sem a tornar mais verdadeira.

    A segunda afirma que a unidade é numérica no fundamento e não elimina a distinção entre pessoas. É a proposição que mais trabalho faz no livro, porque é dela que dependem a atribuição situada (capítulo 12), a não transferência da culpa (capítulo 14) e a recusa da soma das pessoas (capítulo 16). Está bem defendida no plano lógico e depende, no plano metafísico, da primeira.

    A terceira afirma que cada experiência individual é real, situada, limitada e singular. É a proposição que protege a doutrina dos seus abusos (capítulo 1); os capítulos 5 e 6 a desenvolveram como singularidade posicional e como prioridade prática do outro; e é a mais firme das dez, porque não depende da unidade e a unidade depende dela para não fazer mal.

    A quarta afirma que as existências não precisam suceder-se conforme a cronologia humana. O capítulo 8 a encontrou permissiva e não descritiva; o capítulo 25 viu nela, junto com a recusa de um sujeito que visite as existências em fila (questão 47), o que distingue o Unismo das doutrinas da reencarnação; e o custo ficou registrado: sem sucessão, falta um sentido de aquisição, que a sexta objeção reclama.

    A quinta afirma que a experiência das diversas condições participa de um processo de ampliação da compreensão e de aperfeiçoamento moral. É a proposição mais afirmada e menos explicada; o capítulo 7 consolidou em sete as exigências que qualquer integração teria de satisfazer, e os capítulos 7 e 8 propuseram duas hipóteses e mostraram que elas se dividem entre conservar e perder a singularidade. O capítulo 13 sublinhou que a participação não torna nenhum sofrimento necessário.

    A sexta afirma um princípio criador transcendente à experiência imediata. O capítulo 9 encontrou nela uma posição de reserva atributiva, parente da teologia negativa e da teologia da criação como dependência; o capítulo 22 viu nela a chave da vida espiritual do Unismo; e ficou notada a tensão entre a palavra “criador” e a suspensão do atributo de vontade, que o texto-base não afirma nem nega (questões 61, 62 e 67).

    A sétima afirma um horizonte de consciência e existência superior às limitações atuais. O capítulo 10 deu a “superior” uma definição operacional, verificável dentro de uma vida e projetada para o horizonte, e a questão 80 contém a única condição positiva que a doutrina põe à forma do horizonte: conservar de quem era a dor, o que exclui a fusão, a memória impessoal e o ego cósmico (capítulo 11).

    A oitava afirma que a unidade oferece uma razão espiritual para fraternidade, cuidado, justiça e responsabilidade. Os capítulos 3 e 16 distinguiram o que a unidade acrescenta a cada princípio moral, sentido, motivo e alcance, do que ela não faz, fundar; e a questão 4 contém a recusa da motivação pelo retorno, que separa o Unismo de qualquer leitura retributiva das existências e o aproxima, nesse ponto, do que as próprias tradições do carma dizem contra o agir pelo fruto.

    A nona afirma que o bem e o sofrimento causado têm consequências reais e que cada agente responde por sua participação situada. Aqui estão uma teoria da responsabilidade sem merecimento metafísico (capítulo 12), uma teoria da punição sem retribuição (capítulo 15) e uma desagregação das respostas ao dano (proteção, responsabilização, reparação, perdão, reconstrução), que é, no juízo desta obra, a parte mais utilizável da doutrina por quem não partilha da sua metafísica.

    A décima afirma que a dignidade de toda pessoa independe de crença, posição social, capacidade intelectual, utilidade, saúde ou pertencimento religioso, e que é fundamento normativo próprio. É o centro de gravidade do livro (capítulo 1), a fonte dos dez princípios morais que este livro atribui ao Unismo (capítulo 16), a regra de interpretação que exclui leituras lesivas (capítulo 1) e a razão da recusa de graus (capítulo 10). A sua única imprecisão é a relação entre pessoa e humano (capítulos 3 e 19).

    2. O que o livro interpreta

    A questão 166 enumera as interpretações que o texto-base adota sem elevar a fundamento: a manifestação como modo situado de existência; a distinção entre unidade do fundamento e unidade de acesso; a criação como dependência; a preferência pela identidade entre criador e consciência; a integração como interpretação da participação no aperfeiçoamento; a liberdade prática situada como base da responsabilidade. O exame confirmou o estatuto de cada uma e não mudou nenhum. Onde esta obra desenvolveu uma interpretação (a consciência como natureza, a ordem de pressuposição, a conservação como disposição, a oração como direção sem informação), fê-lo no mesmo estatuto e o disse. Onde o texto-base prefere (a identidade entre criador e consciência), o capítulo 9 examinou a preferência em três planos e recomendou que continue preferência, porque a sua elevação a fundamento mudaria a doutrina em panenteísmo declarado e mudaria a relação com o cristianismo de expressão para reivindicação (capítulos 9 e 25).

    3. O que fica em aberto

    A questão 167 organiza as questões abertas em seis grupos: unidade e pessoas; aperfeiçoamento comum; continuidade pessoal e liberdade; o criador; criação e sofrimento; horizonte e outros seres. Os capítulos anteriores percorreram os seis, e o resultado, que o texto-base não formula, é este: o primeiro e o segundo correspondem às duas dívidas que o capítulo 27 nomeou, a teoria da manifestação e a teoria da integração, e que esta investigação, no estatuto de hipótese, supõe serem uma só; o terceiro (continuidade pessoal e liberdade metafísica) e o quarto (o criador) conservam perguntas próprias, que nenhuma teoria da manifestação decidiria por si (capítulo 27); o quinto é uma insuficiência que a doutrina reconhece e se proíbe de preencher com uma justificação do sofrimento, e a investigação concordou com a recusa ao preço de reconhecer que a doutrina só consola pela presença e pela verdade do vivido, e não pela promessa (capítulos 11 e 13); o sexto contém uma abertura legítima (a forma do horizonte), outra que o texto-base declara (a participação metafísica dos demais seres) e uma imprecisão resolúvel (pessoa e humano). A questão 167 termina dizendo o que significa manter uma questão aberta: conservar uma tarefa determinada. Esta obra tentou tornar cada tarefa mais determinada do que a encontrou, e não pretende ter cumprido nenhuma.

    4. O que já se pode viver

    A questão 168 responde que já se pode viver o compromisso de reconhecer a realidade das pessoas e responder pela maneira como a nossa vida as alcança. Para o adepto, a vida moral e o cultivo espiritual exprimem a unidade e o horizonte; para quem não partilha da metafísica, a dignidade e as razões da convivência conservam a sua força; a cooperação entre ambos é parte da fraternidade. Há perguntas abertas e há cuidado que já pode ser oferecido. E a última frase da questão 164 pode servir de fecho a todo o Livro dos Fundamentos: aderir, recusar ou investigar, em qualquer caso, alguém continua diante de nós.

    Os capítulos anteriores confirmaram a questão 168 pelo caminho mais longo possível: os quinze casos do capítulo 20 mostraram que os fundamentos decidem sem que seja preciso saber se a unidade é verdadeira, e os capítulos 21 a 23 mostraram que a vida espiritual e comunitária do Unismo pode ser vivida por quem duvida. Se há uma conclusão prática desta obra, é que tudo o que o Unismo exige pode ser cumprido por quem só aceitar a décima proposição, e que a doutrina sabe disso e o aceita; o que ela oferece, o sentido, o pertencimento e a esperança, só se vive professando as outras nove.

    5. O que esta investigação acrescentou

    Para que o leitor separe o que é do Unismo do que é desta obra, aqui está, em resumo, o que ela propôs por conta própria, e que o Registro de desenvolvimentos, no aparato final, enumera com as suas fontes. Quatro regras de leitura, que o texto-base pratica e esta investigação extraiu e nomeou: a conjunção unidade-dignidade, a exclusão das leituras lesivas, o primado da pergunta e a não instrumentalização do sofrimento. Cinco critérios de investigação. Três unidades (numérica, de acesso, de integração) e a leitura da consciência como natureza e do sujeito como forma. A singularidade posicional e a prioridade prática do outro. Sete exigências da integração e duas hipóteses sobre a sua forma. A ordem de pressuposição como ordem não temporal. A reserva atributiva e a regra da não acumulação de atributos. A finalidade como critério e a definição operacional de “superior”. A regra do luto. O teste das quatro condições da responsabilidade e a responsabilidade sem merecimento. O sentido encontrado e o sentido atribuído. O teste da direção da explicação, a prioridade da pessoa atingida como princípio e a gramática dos cinco verbos. A teoria da punição sem retribuição e a desagregação das cinco respostas ao dano. Os dez princípios morais que este livro atribui ao Unismo, a sua ordem e as seis regras do conflito. As virtudes como disposições ao reconhecimento e o teste dos campos. Os quatro círculos da consideração. Quinze casos difíceis. A oração como direção sem informação. Os sete sinais de deriva e as nove garantias. As comparações dos capítulos 24 e 25 e a caracterização do Unismo, no capítulo 26, como religião de relação e religião desarmada. Nenhum desses acréscimos altera o texto fundador; os que o alterariam estão nas Propostas ao texto fundador, no aparato desta obra, e não foram aplicados.

    6. Um juízo

    Uma investigação deve terminar dizendo o que pensa. O juízo desta obra é que o Livro dos Fundamentos tem quatro traços que o exame verificou no seu próprio texto: formula contra si a sua objeção mais forte, nega imunidade e domínio a quem quer que o tenha idealizado (questão 149), proíbe-se de usar a sua metafísica contra as pessoas e prefere a insuficiência à justificação do sofrimento. É também que a sua metafísica está onde o próprio texto a situa, professada e não demonstrada, e que a sua dívida principal, partilhada pela família filosófica a que pertence, nem por isso deixa de ser sua. É que a sua ética é utilizável por qualquer pessoa, e que isso é, para uma religião, ao mesmo tempo uma vantagem e uma exposição: a vantagem de não precisar de crentes para fazer bem, e a exposição de poder ser adotada sem que ninguém creia; o texto-base escolheu essa exposição de olhos abertos, na questão 4, e esta investigação não encontrou razão para lhe pedir outra coisa. E é, por fim, que a sua metafísica, enquanto a teoria da manifestação faltar, é uma interpretação da vida e não uma explicação dela, e que a sua reserva diante do luto tem um preço que o capítulo 11 mediu e que nenhum mérito paga.

    O que permanece aberto

    O que a questão 167 diz que fica, na ordem que o capítulo 27 lhe deu: duas dívidas, a teoria da manifestação e a teoria da integração, que esta investigação supõe, no estatuto de hipótese, serem uma só; por razões próprias, a continuidade pessoal, a liberdade metafísica, a relação entre criador e consciência fundamental e a participação metafísica dos demais seres; uma insuficiência reconhecida, a de explicar o sofrimento, que a doutrina se proíbe de preencher com a culpa de quem sofre; uma imprecisão, a de pessoa e humano; e uma abertura, a da forma do horizonte. E, desta obra, tudo o que ela propôs e que o leitor tem o direito de recusar sem recusar o Unismo.

    Da obra

    Uma Raiz, Muitas Vidas — investigação filosófica, religiosa e moral sobre os fundamentos do Unismo, com o texto integral do Livro dos Fundamentos. Edição de estudo, gratuita, sem indicação de autor (CC BY-NC-SA 4.0).

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